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/ A caixa do futuro Deitada no chão gelado de seu quarto, um livro jogado ao seu lado, escutando um vinil do Pink Floyd, Sofia, confusa, pensava e sofria. Era fã de música e literatura. Mesmo com a ajuda da arte, entender seus próprios sentimentos era demasiado complicado. Tentar entender, ter que adivinhar sentimentos alheios era uma tarefa ainda mais árdua. Arrependida, envergonhada, afirmava ao mundo seu medo de rejeição. Sentia-se rejeitada antes mesmo da rejeição ter ocorrido, apagando qualquer esperança de sua mente. Seu eterno medo de amar e ser feliz. A ela, importavam as certezas, e estas, Sofia possuía aos montes. Muitas eram completamente infundadas, outras eram frutos do pessimismo e da auto-depreciação, porém, ainda assim, eram certezas, suas verdades. Ela chorava, molhando uma folha de papel, enquanto escrevia sua própria história, sob outro nome. Sofria por solidão. Respirava amor e intoxicava-se com as inseguranças que este trazia. Sentia-se sufocada por seus próprios sentimentos, doía perceber que apenas uma pessoa poderia salvá-la. Embriagada por ilusões, Sofia fechou seus olhos escuros e borrados e nem ao menos assustou-se com a pequena caixa que aparecera ao seu lado. Toque-me, o objeto ordenava, num explosivo e ensurdecedor silêncio. Sofia pediu à caixa que tudo o que sonhava no momento pudesse tornar-se realidade. A caixa, meus amigos, nossos amigos, jamais poderia dar sem receber muito em troca. Todos os seres do universo devem ser alimentados, e esta caixa chamada Futuro ordenava escolhas. O pequeno cubo distribuía sonhos e sugava a realidade. Este era seu combustível interior. Você tem que entregar tudo o que é real na sua vida, em troca de viver eternamente na ilusão de sua mente, esta que estremece seu corpo. Qualquer pessoa que estivesse ao seu lado seria... apenas uma virtualidade. Sim ou não. A escolha é sua. Sofia, sem pensar muitas vezes - pela primeira vez na vida -, seguiu seus impulsos e apertou o botão "não". Havia voltado então a chorar em sua realidade, por um sonho que continuaria sendo ilusão e incerteza, falsa certeza, até que o medo morresse e a coragem cortasse a estagnação. Sofia perguntou-me qual seria minha escolha. Qualquer que seja a sua, eu respondi, qualquer que a sua seja. Meu amor, se um dia você perceber que tudo isso é para você, nós duas agradeceremos eternamente. (Isabela Alzuguir) |